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Alta da conta de luz preocupa empresários

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) anunciou na terça-feira que a bandeira vermelha 2, vigente nas contas de luz atualmente, pode encarecer ao menos 20% até o fim do mês.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) anunciou na terça-feira que a bandeira vermelha 2, vigente nas contas de luz atualmente, pode encarecer ao menos 20% até o fim do mês. Embora o governo federal descarte a possibilidade de apagão, há perspectiva de racionamento, semelhante ao que ocorreu em 2001. O cenário preocupa empresários. Além de ampliar os custos de diversos processos e atividades, pode ocorrer atraso nos prazos.

Na construção civil, Rosana Carnevalli, diretora regional do Sinduscon-SP (Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo), avalia que o impacto direto será no canteiro de obras, já que equipamentos, como o elevador cremalheira, que realiza o transporte vertical de pessoas e cargas, dependem de energia elétrica. “Indiretamente, podemos ter problemas de entrega de insumos. Nosso receio é que novos aumentos (nos produtos) podem ocorrer”, afirma.

Vale lembrar que o setor está aquecido mesmo na pandemia. Embora tenha ficado reticente no início da crise sanitária, logo a demanda voltou a crescer, principalmente porque pessoas em home office viram a necessidade de imóveis maiores. Tanto que, no primeiro trimestre deste ano, houve crescimento de 74% nos lançamentos na região, de acordo com a Acigabc (Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC).

Por outro lado, a construção sofre com o aumento de materiais desde 2020. O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) acumulado nos últimos 12 meses é de 14,62%. Para se ter ideia, no último ano, os materiais metálicos, usados na estrutura, encareceram 77,8%. Mesmo assim, Rosana avalia que os constantes acréscimos não devem ser repassados. “Em imóveis já negociados, se aumentamos a parcela, pode deixar de ser compatível com o salário do comprador e aumentar a inadimplência, além de deixar novos clientes retraídos. É uma faca de dois gumes”, explica.

NA INDÚSTRIA

Norberto Perrella, diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Santo André, assinala que, caso ocorra o racionamento da energia elétrica, o volume de produção irá cair, freando a retomada do setor na pandemia. Outra questão é que o aumento do custo para fabricação em razão da alta na conta de luz diminui ainda mais a competitividade da indústria brasileira. “Agora que estávamos conseguindo regularizar o suprimento de matéria-prima, que estava em falta e veio com aumento, teremos mais este problema. Será um retrocesso em todo País”, aponta.

No caso da indústria automotiva, Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores), assinala que o encarecimento e a possibilidade de racionamento da energia elétrica preocupam bastante o setor para o segundo semestre. Porém, ainda não é possível estimar impactos, como possibilidade de paralisação de fábricas ou encarecimento de veículos.

Atualmente, as empresas do segmento já encaram a falta de componentes elétricos, principalmente semicondutores, cuja solução não é esperada para este ano. O problema já afeta as montadoras instaladas no Grande ABC, de forma mais grave na GM (General Motors), em São Caetano, e na Volkswagen, em São Bernardo. Ambas anunciaram interrupção temporária da produção neste mês. Segundo a Anfavea, há demanda para ampliar a fabricação, que está estagnada nos últimos meses.

A alta na conta de luz é justificada pela falta de chuva, que fez com que os reservatórios das usinas hidrelétricas ficassem baixos e as usinas termoelétricas, cujos custos são maiores, precisaram ser acionadas. Hoje, a bandeira vermelha 2 representa R$ 6,24 a mais na fatura a cada 100 kWh (kilowatt/hora). O governo federal estuda campanha para incentivar a redução de consumo, principalmente no início da noite, que é o horário de pico.

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